O fechamento da semana de 28 de setembro a 2 de outubro mostrou uma lição que todo trader precisa aprender cedo: notícia “a favor” não garante movimento a favor. O Payroll veio muito fraco, o que normalmente ajuda o ouro, mas o metal fechou a sexta em queda e acumulou a segunda semana seguida no vermelho. Abaixo, os números conferidos e o que levar para a próxima semana.
Resumo em 30 segundos
- Ouro: caiu cerca de 3,5% na semana, de perto de US$ 4.290 para US$ 4.139,80.
- Payroll: só +29 mil vagas em setembro, contra +90 mil esperadas. Desemprego subiu para 4,2%.
- Sexta-feira: o ouro disparou até US$ 4.226 logo após o dado, mas devolveu tudo e fechou em queda de 0,88%.
- Dólar: terceira semana seguida de alta, com juros dos títulos americanos ainda elevados.
Fechamento da semana em números
| Ativo | Sexta 02/10 | Na semana |
|---|---|---|
| Ouro (XAU/USD) | US$ 4.139,80 | queda de cerca de 3,5% (2ª semana seguida) |
| Máxima de sexta | US$ 4.226,20 | logo após o Payroll |
| Mínima de sexta | US$ 4.124,50 | no fim da tarde |
| Índice do dólar (DXY) | 101,93 | alta de cerca de 0,9% (3ª semana seguida) |
O que mexeu no preço
No meio da semana, a inflação PCE dos Estados Unidos veio abaixo do esperado e o ouro chegou a subir perto de 0,8%, encostando em US$ 4.190. A leitura do mercado foi simples: inflação mais fraca diminui a chance de nova alta de juros em outubro.
Na sexta, às 9h30 de Brasília, saiu o Payroll. Foram só 29 mil vagas criadas em setembro, o desemprego subiu para 4,2% e o crescimento dos salários desacelerou para 3,0% ao ano, o ritmo mais fraco desde maio de 2021. Os meses de julho e agosto ainda foram revisados para baixo, somando 60 mil vagas a menos.
O primeiro reflexo foi de alta forte: o ouro foi a US$ 4.226 em minutos. Só que o movimento não se sustentou. O dólar continuou firme, os juros dos títulos americanos seguiram altos e o petróleo subiu com o medo de escalada no conflito entre Estados Unidos e Irã. O ouro devolveu toda a alta e terminou o dia perto da mínima.
A lição da semana
Quem comprou no impulso do Payroll, logo após 9h30, entrou na máxima do dia e viu o preço cair mais de US$ 80 em poucas horas. Em dia de notícia forte, o primeiro movimento muitas vezes é exagerado e volta. Por isso a regra continua a mesma: não abra posição nos minutos da notícia, espere o mercado mostrar a direção, use stop e reduza a mão.
O que observar na próxima semana
- Suporte de US$ 4.000: é a região que o mercado está de olho. Perder esse nível pode acelerar a queda.
- Juros: o Payroll fraco reduziu a chance de alta de juros em outubro, mas o mercado ainda vê boa probabilidade de alta em dezembro. Qualquer fala do Fed pode mexer forte no ouro.
- Petróleo e Oriente Médio: notícias sobre Estados Unidos e Irã continuam influenciando dólar e inflação.
No domingo sai a nossa Semana à Frente, com a agenda completa dos próximos dias.
Fontes: Kitco (preço do ouro, 02/10/2026), Trading Economics (ouro, índice do dólar e Payroll) e U.S. Bureau of Labor Statistics. Conteúdo educacional, não é recomendação de investimento.
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