Cluster Chart e Footprint: como ler volume por preço

Ilustração sobre cluster chart e footprint no artigo do Exactly Moment.

O gráfico footprint, também chamado de cluster chart, abre cada candle por dentro e mostra quanto volume foi negociado em cada preço, separado entre agressão compradora e vendedora. Onde o candle comum mostra só abertura, máxima, mínima e fechamento, esse gráfico mostra uma pequena tabela de números. Parece intimidador no começo, mas a leitura segue poucas regras, e o maior desafio é não enxergar significado em todos os números.

Como ler uma célula do footprint

Cada linha dentro do candle representa um preço. Na versão mais comum, chamada bid x ask, aparecem dois números lado a lado. O da esquerda é o volume vendido a mercado naquele preço, que bateu no bid. O da direita é o volume comprado a mercado, que levantou o ask.

Algumas plataformas mostram outras variações, como volume total por preço ou só o delta, que é a diferença entre compra e venda agressiva. O cluster chart costuma ser o termo usado para essas variações coloridas por intensidade. A base é sempre a mesma: volume por preço dentro de um intervalo de tempo.

Um exemplo de candle de 5 minutos no mini dólar, lido de cima para baixo:

PreçoVenda agressiva (bid)Compra agressiva (ask)
5.212,012085
5.211,5340410
5.211,05201.480
5.210,5610690
5.210,090030

Delta, desequilíbrio e leilão inacabado

O delta do candle é a soma das compras agressivas menos a soma das vendas agressivas. No exemplo, 2.695 menos 2.490 dá um delta de +205 contratos. Pequeno em relação ao volume total de 5.185, o que indica um candle bastante disputado.

O desequilíbrio é lido na diagonal. Compara-se a compra agressiva em um preço com a venda agressiva no preço logo abaixo, porque é assim que o livro funciona: quem compra a mercado paga a oferta, que fica um tique acima do bid. Em 5.211,0, há 1.480 comprados contra 610 vendidos em 5.210,5, uma razão de 2,4 para 1. Muitas plataformas marcam desequilíbrio a partir de 3 para 1, então esse não seria destacado.

Leilão inacabado é quando a extremidade do candle tem negócios dos dois lados. Na mínima de 5.210,0 existem 900 vendidos e 30 comprados: o lado comprador é pequeno, mas não é zero. Pela definição mais usada, o leilão ali ficou inacabado, e muitos traders tratam essa mínima como um preço que o mercado pode voltar a visitar. Quando a extremidade tem zero de um dos lados, fala-se em leilão terminado.

As duas leituras são hipóteses de trabalho, não regras. Anote quantas vezes o preço de fato voltou a um leilão inacabado nas sessões seguintes antes de dar peso a isso nas suas decisões.

Um roteiro para ler o footprint na região certa

O footprint é denso demais para ser lido em todos os candles. Na prática, o que eu vejo é que ele só compensa em regiões marcadas antes do pregão, como máximas e mínimas do dia anterior ou áreas de volume alto. O guia de leitura de gráficos ajuda a definir essas regiões.

Quando o preço chega em uma delas, faça três perguntas. Primeira: o delta do candle concorda com a direção do candle? Segunda: há desequilíbrios empilhados, ou seja, três ou mais preços seguidos com desequilíbrio do mesmo lado? Terceira: a extremidade do candle mostra leilão terminado ou inacabado?

Se um candle de baixa chega na mínima do dia anterior com delta vendedor forte, mas o candle seguinte mostra desequilíbrios compradores empilhados logo acima da mínima, a leitura sugere que a venda perdeu força ali. Uma entrada comprada só faria sentido com stop abaixo da região e tamanho calculado antes.

Exemplo de risco a partir do footprint

Suponha a entrada em 5.212,0 depois dos desequilíbrios compradores, com stop em 5.208,5, abaixo da mínima da região testada. Risco de 3,5 pontos. No mini dólar, cada ponto vale R$ 10 por contrato, então o risco é R$ 35 por contrato.

Com uma conta de R$ 7.000 e risco de 1%, o limite é R$ 70, ou seja, 2 contratos. Se o stop precisasse ficar em 5.206,0, o risco subiria para R$ 60 por contrato e só caberia 1. O footprint ajuda a posicionar o stop em um lugar lógico, mas é a conta que decide o tamanho.

Vale registrar também o que aconteceu depois da saída. Se o preço voltou a 5.210,0 para completar o leilão inacabado antes de subir, e o stop estava justo demais, isso é informação para ajustar o plano. Depois de 20 ou 30 casos anotados, você começa a ter base para decidir se esse tipo de leitura merece espaço na sua rotina ou não.

Limites do cluster chart

O footprint depende de volume real com lado agressor. Em futuros da B3 e da CME, esses dados existem. No Forex à vista e em muitos CFDs, as plataformas montam o gráfico com volume de ticks e estimam o lado pela direção do tique, o que produz números que parecem precisos mas não representam negócios. Em cripto, o gráfico mostra só a exchange selecionada.

Há também o risco de sobrecarga. São dezenas de números por candle, e o cérebro tende a escolher os que confirmam a opinião que você já tinha. Praticar em conta demo por algumas semanas, como sugere o guia de conta demo e conta real, é a forma mais barata de calibrar a leitura. Para os riscos dos derivativos em geral, o Portal do Investidor da CVM tem material educativo oficial.

Armadilhas frequentes

  • Comparar compra e venda na horizontal, no mesmo preço, em vez de ler o desequilíbrio na diagonal.
  • Tratar cada desequilíbrio destacado pela plataforma como sinal, sem olhar a região.
  • Usar footprint de volume de ticks em Forex à vista como se fosse volume real.
  • Ler todos os candles do dia e terminar o pregão sem conseguir decidir nada.
  • Esquecer que o limite de desequilíbrio, como 3 para 1, é uma configuração, não uma lei do mercado.

Para praticar

  1. Pegue três candles de 5 minutos de um pregão passado e calcule à mão o delta e os desequilíbrios diagonais de cada um. Depois confira com a plataforma.
  2. Mude o limite de desequilíbrio de 3 para 1 para 2 para 1 e observe quanto aumenta o número de marcações. Anote se isso ajuda ou só gera ruído.
  3. Durante uma semana, registre apenas os leilões inacabados nas máximas e mínimas do dia e o que o preço fez na sessão seguinte.

O que fica

  • Cada célula do footprint mostra venda agressiva e compra agressiva em um preço.
  • Delta resume o candle; o desequilíbrio é lido na diagonal.
  • A leitura só compensa em regiões marcadas antes do pregão.
  • Sem volume real com lado agressor, o gráfico perde o significado.
Aviso de riscoEste conteúdo é exclusivamente educacional e não constitui recomendação de investimento. Operar nos mercados financeiros envolve risco de perda total do capital. Resultados passados não garantem resultados futuros. Leia o aviso completo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *