O fechamento da semana de 5 a 9 de outubro teve uma virada no meio do caminho: o ouro caiu até a mínima de dois meses na quarta-feira e, mesmo assim, termina os cinco dias em alta de cerca de 1%. No trajeto, o dólar ganhou força, o euro emendou a quinta semana seguida de queda e as bolsas de Nova York passaram por recordes. Abaixo você vê os números conferidos em duas fontes e o motivo de cada movimento. Todos os valores são do fechamento de sexta-feira, 9 de outubro, depois que as bolsas de Nova York encerraram o pregão.
Resumo em 30 segundos
- Ouro (XAU/USD): começou perto de US$ 4.145, caiu até US$ 4.066 na quarta e voltou para perto de US$ 4.190. Na semana, alta de cerca de 1%.
- Dólar: o índice do dólar subiu de novo, na quarta semana seguida de ganho. O euro caiu e emendou a quinta semana no vermelho.
- Juros nos EUA: o título de 10 anos bateu máxima de 24 anos na quarta e voltou para perto de 5,25%.
- Bolsas: semana de recordes em Nova York. S&P 500 +1,1%, Dow Jones +0,9% e Nasdaq +0,6%.
Fechamento da semana em números
A tabela mostra onde cada ativo fechou na sexta e o que aconteceu nos cinco dias. Quando as fontes divergiam na casa decimal, ficamos com a formulação mais segura (“perto de”). É assim que o fechamento da semana fica confiável: número não confirmado em duas fontes não entra.
| Ativo | Onde fechou na sexta | Na semana |
|---|---|---|
| Ouro (XAU/USD) | perto de US$ 4.190 | alta de cerca de 1% |
| Índice do dólar (DXY) | perto de 102,2 | em alta, 4ª semana seguida |
| EUR/USD | perto de 1,120 | em queda, 5ª semana seguida |
| GBP/USD | perto de 1,324 | praticamente estável |
| USD/JPY | perto de 158,2 | iene mais fraco na semana |
| Juros de 10 anos (EUA) | perto de 5,25% | quase sem mudança, após máxima de 24 anos na quarta |
| S&P 500 | 7.811 pontos | alta de 1,1% |
| Nasdaq | perto de 27.366 pontos | alta de 0,6% |
| Dow Jones | perto de 51.655 pontos | alta de 0,9% |
O que mexeu com o ouro
A peça central do fechamento da semana foi a ata da reunião de setembro do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, divulgada na quarta-feira. Ata é o documento que conta, semanas depois, o que foi discutido na reunião. E o que ela contou pesou: todos os 19 participantes apoiaram a alta de 0,25 ponto percentual de setembro, que levou os juros americanos para 3,75%–4,00%. A maioria considerou provável outra alta até o fim do ano.
Esse tipo de notícia incomoda o ouro. O metal não paga juros nem dividendos: quem compra ganha só com a variação do preço. Quando o título americano paga mais, o dinheiro migra para lá, onde o rendimento é contratado. Foi o que se viu na quarta — o pior dia da semana para o ouro: queda de 1,28%, com o preço chegando a US$ 4.066 por onça, a menor cotação em dois meses.
Na quinta e na sexta, a leitura mudou. O mercado concluiu que o Fed provavelmente não sobe juros já em outubro: os contratos futuros apontavam cerca de 19% de chance para este mês e cerca de 86% para dezembro. Com a alta imediata descartada, os juros de 10 anos recuaram do pico, o dólar parou de subir e o ouro recuperou o terreno perdido.
Dólar firme, euro na quinta queda seguida
O índice do dólar (DXY) mede a moeda americana contra uma cesta de moedas fortes, como euro, iene e libra. Ele encerrou o fechamento da semana perto de 102,2, em mais uma alta — quarta semana seguida de ganho, a sequência mais longa desde maio de 2025. Juros altos nos Estados Unidos atraem capital, e capital atraído vira demanda por dólar.
Nos pares de moedas (a cotação de uma moeda contra a outra), quem sofreu mais foi o euro. O EUR/USD caiu na semana, para perto de 1,120, e chegou a 1,1161 na segunda, a menor cotação em 17 meses. Pesou o tom mais brando de Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu: ela indicou que a alta dos juros longos já deve esfriar a economia por si só, e o mercado passou a ver como improvável uma elevação na Europa em outubro.
A libra resistiu melhor. O GBP/USD ficou perto de 1,324, estável, depois que Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra, endureceu o discurso sobre inflação na quinta-feira. Com a taxa britânica em 3,75%, o mercado passou a dar cerca de 90% de chance a uma alta para 4,00% em 5 de novembro. O iene seguiu fraco: o USD/JPY ficou perto de 158,2, com a moeda japonesa cedendo mais uma semana.

Bolsas: recordes em Nova York
Enquanto o ouro balançava, as bolsas americanas tiveram uma semana de recordes: S&P 500 e Nasdaq marcaram máximas históricas no meio do período. Depois de dois dias de recuo, a sexta trouxe recuperação, ajudada pela queda do petróleo. No fechamento da semana, o S&P 500 terminou em 7.811 pontos (+1,1%), o Dow Jones perto de 51.655 (+0,9%) e o Nasdaq perto de 27.366 (+0,6%). Bolsa em recorde e ouro em recuperação não é contradição: são dois públicos reagindo à mesma conclusão, a de que o Fed vai esperar.
Como a semana apareceu no gráfico
No gráfico semanal do ouro, o fechamento da semana desenhou um candle (o retângulo com dois fios nas pontas) característico. A abertura ficou perto de US$ 4.145. O fio de baixo desce até US$ 4.066 — é a sombra, ou pavio, que registra até onde o preço chegou mas não se sustentou. O corpo terminou perto do topo, em torno de US$ 4.190.
Um detalhe de vocabulário que confunde iniciante: US$ 4.066 foi uma mínima atingida de fato, não um “suporte”. Suporte e resistência são regiões que o trader desenha esperando reação. Mínima é fato registrado. Trocar uma pela outra é como boa análise perde credibilidade.
Lição do fechamento da semana
A lição deste fechamento da semana está no calendário, não no preço. O pior dia do ouro foi exatamente o dia da notícia — e dois dias depois o movimento tinha se desfeito por completo.
Dado não é direção. A notícia explica o que aconteceu; não garante o que vem depois, porque o preço reage menos ao fato e mais à diferença entre o fato e o que já era esperado. A consequência prática: dias de ata, decisão de juros e inflação pedem posição menor, stop definido antes de clicar e paciência para esperar o mercado confirmar a leitura. Nada aqui é recomendação de compra ou venda — é registro do que a semana mostrou.
As duas edições que se completam ficam na página Análise Semanal: o Fechamento da Semana, que você acabou de ler, e a Semana à Frente, com o calendário dos próximos cinco dias. Se o ouro é o seu ativo principal, vale ler o guia completo do XAUUSD e o guia de gestão de risco.
Fontes
- Ouro — Investing.com, FXStreet e Trading Economics
- Moedas — Reuters e Trading Economics
- Bolsas e juros de 10 anos — Reuters (GV Wire) e MarketScreener
- Ata do Fed — Federal Reserve e BabyPips
- Banco Central Europeu — FXStreet
- Banco da Inglaterra — Pound Sterling Live
- Educação do investidor — Portal do Investidor (gov.br)




