Fechamento da semana (21 a 25/09): ouro cai quase 2% com juros e dólar em alta

Fechamento da semana de 21 a 25/09: o ouro caiu quase 2% com juros e dólar em alta

O fechamento da semana de 21 a 25 de setembro tem um resumo simples: juro subindo e dólar forte derrubaram o ouro. O metal caiu quase 2% em cinco dias e só esboçou uma reação na sexta-feira. Abaixo você encontra os números conferidos, o que mexeu no preço e o que dá para levar para a próxima semana, sem complicação.

Resumo em 30 segundos

  • Ouro: caiu quase 2% na semana e terminou perto de US$ 4.290.
  • Motivo principal: juros americanos no maior nível desde 2007 e dólar forte.
  • Sexta-feira: repique de cerca de 0,4%, sem mudar a tendência.
  • Próxima semana: atenção aos discursos do Fed e aos dados de emprego.

Fechamento da semana em números

Os valores abaixo são de sexta-feira à tarde, com o mercado ainda aberto. Podem mudar um pouco até o fechamento oficial, mas a direção da semana já estava clara.

AtivoOnde estava na sextaNa semana
Ouro (XAU/USD)perto de US$ 4.290queda de quase 2%
Índice do dólar (DXY)100,96alta (2ª semana seguida)
EUR/USD1,141queda (3ª semana seguida)
GBP/USD1,326queda de cerca de 1%
USD/JPY157,65queda (iene se recuperou)
Juros de 10 anos dos EUA5,17%alta de 0,16 ponto
S&P 500—alta de 0,7%
Nasdaq—alta de 1,6%
Dow Jones—queda de 0,6%
Fechamento da semana: fontes no fim do artigo. Valores de sexta à tarde (horário de Brasília).

O que mexeu com o ouro

No fechamento da semana, o ouro foi o ativo que mais chamou atenção. Ele começou a segunda-feira perto de US$ 4.360. O pior dia foi a quarta, com queda de 1,8%, quando os juros de 10 anos dos Estados Unidos passaram de 5,1% e chegaram ao nível mais alto desde 2007. Na quinta, esses juros bateram 5,225%. Na sexta, o metal subiu cerca de 0,4% e voltou para perto de US$ 4.290.

Por que isso pesa tanto? O ouro não paga juros. Quando um título do governo americano passa a pagar mais de 5% ao ano, segurar ouro fica “caro” para quem pensa em rendimento, e parte do dinheiro muda de lugar. Ao mesmo tempo, o ouro é cotado em dólar. Com o dólar mais forte, ele fica mais caro para quem compra com outras moedas, e a procura diminui.

O combustível dessa alta de juros veio do Federal Reserve. Depois da alta da semana anterior, dirigentes como John Williams, do Fed de Nova York, e Michael Barr disseram que pode ser preciso subir os juros de novo. Os dados de emprego fortes reforçaram essa leitura, e o mercado passou a ver cerca de 70% de chance de nova alta já em outubro.

Dólar forte, mas não contra todo mundo

O índice do dólar caminhou para a segunda semana seguida de alta, a primeira sequência assim desde junho. O euro teve a terceira semana seguida de queda e a libra perdeu perto de 1%. Quem opera EUR/USD ou GBP/USD viu o mesmo movimento do ouro: para baixo.

A exceção foi o iene. O USD/JPY recuou na semana depois que o ministro das Finanças do Japão voltou a falar em preocupação com a moeda fraca, o que deixou o mercado com medo de intervenção. É um bom lembrete: nem toda semana de dólar forte é igual em todos os pares.

Na sexta, o petróleo aliviou com notícias de negociação entre Estados Unidos e Irã sobre o Estreito de Ormuz. Isso tirou um pouco de pressão da inflação, o dólar cedeu e o ouro respirou. Foi um repique, não uma virada.

Bolsas: tecnologia segurou a semana

Mesmo com juros altos, as bolsas americanas não caíram juntas. O Nasdaq subiu cerca de 1,6% e o S&P 500, 0,7%, puxados por empresas de tecnologia. O Dow Jones foi na direção contrária e caminhou para a quarta semana seguida de queda. No fechamento da semana, o recado para quem está começando é que “o mercado” raramente se move todo para o mesmo lado.

Como a semana apareceu no gráfico

No gráfico diário do ouro, a semana formou uma sequência de candles vermelhos de segunda a quinta, com a quarta-feira sendo o maior deles. Repare que as quedas vieram coladas às notícias de juros: quando os títulos americanos subiam, o ouro descia quase na mesma hora. Quem olhou só para o desenho do gráfico, sem acompanhar os juros, teve a sensação de que o preço “caía do nada”.

Na sexta, o candle verde apareceu sem força para recuperar o que foi perdido. Ele fechou longe da máxima da semana e abaixo da região de US$ 4.300, que durante a semana virou teto. Para o iniciante, vale olhar dois pontos antes de concluir qualquer coisa: se o preço consegue fechar o dia acima dessa região, e se os juros de 10 anos param de subir. Um sem o outro costuma dar alarme falso.

Outra observação útil deste fechamento da semana: os horários dos discursos do Fed foram os momentos de maior oscilação. Em dias assim, o spread aumenta e o stop pode sair pior do que o planejado. Ficar de fora alguns minutos antes e depois de um evento forte não é medo, é gestão.

Pares de moedas que andam com o ouro

O fechamento da semana mostrou bem uma regra simples. O ouro sobe quando o dólar enfraquece. Por isso, pares com o dólar atrás (EUR/USD, GBP/USD, AUD/USD, NZD/USD) costumam andar junto com o ouro, e pares com o dólar na frente (USD/JPY, USD/CHF, USD/CAD) costumam andar contra. Não é regra fixa, mas ajuda a confirmar o que você está vendo no gráfico.

Tabela de pares de moedas que andam junto e contra o ouro (XAU/USD)

Lição do fechamento da semana

A lição deste fechamento da semana é direta: juro subindo e dólar forte pesam no ouro. O repique de sexta não muda isso sozinho. Antes de tratar uma alta de um dia como mudança de tendência, espere o preço confirmar: um fechamento acima da região que estava segurando o preço, e juros e dólar parando de subir. Enquanto isso não acontece, lote menor e stop definido antes da entrada. Se quiser revisar como calcular isso, veja o guia de gerenciamento de risco no day trade.

Todo domingo sai a Semana à Frente, com a agenda de eventos em horário de Brasília. Todas as edições do fechamento da semana ficam reunidas na página Análise Semanal.

Fontes

Aviso de riscoEste conteúdo é exclusivamente educacional e não constitui recomendação de investimento. Operar nos mercados financeiros envolve risco de perda total do capital. Resultados passados não garantem resultados futuros. Leia o aviso completo.

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