Olhe para qualquer tendência com calma e você verá que ela respira. Há trechos em que o preço anda rápido, com candles grandes e decididos, e trechos em que ele desacelera, volta um pouco e parece hesitar. Esses dois momentos têm nome: impulso e correção. Saber diferenciá-los muda completamente onde você pensa em entrar.
Duas fases com personalidades diferentes
O impulso é o movimento a favor da tendência. A correção é o movimento contra ela, que devolve parte do avanço antes de o preço seguir. Em uma alta, as subidas são impulsos e os recuos são correções. Em uma baixa, é o contrário.
| Característica | Impulso | Correção |
|---|---|---|
| Tamanho dos candles | Grandes, acima da média | Menores, variados |
| Fechamentos | Perto do extremo do candle | Mais no meio, com pavios dos dois lados |
| Sobreposição | Pouca: cada candle avança sobre o anterior | Muita: candles se sobrepõem |
| Velocidade | Muita distância em pouco tempo | Pouca distância em mais tempo |
Um exemplo no US500
Imagine o US500 em H1 (valores ilustrativos). O índice sobe de 5.200 para 5.320 em 6 candles. Depois recua de 5.320 para 5.275 em 10 candles.
- Impulso: 120 pontos em 6 horas, média de 20 pontos por candle.
- Correção: 45 pontos em 10 horas, média de 4,5 pontos por candle.
- Profundidade da correção: 45 ÷ 120 = 37,5% do impulso.
O impulso andou mais de quatro vezes mais rápido por candle do que a correção. Esse contraste é um sinal de que os compradores continuam com mais força. Quanto vale cada ponto do US500 em dinheiro varia muito entre corretoras e contratos, por isso confira a especificação antes de qualquer cálculo de lote.
A profundidade como termômetro
Medir quanto a correção devolveu do impulso ajuda a avaliar a situação. Não existem números mágicos, mas uma leitura geral é esta:
- Correções rasas (menos de um terço do impulso): o lado da tendência está com pressa. Esperar um recuo maior pode significar ficar de fora.
- Correções médias (entre um terço e dois terços): o comportamento mais comum de uma tendência saudável.
- Correções profundas (mais de dois terços): o lado contrário está ganhando força. Se a correção passa do início do impulso, a estrutura é quebrada.
No exemplo, se a correção tivesse ido de 5.320 até 5.215, ela teria devolvido 105 pontos, ou 87,5% do impulso. O preço estaria a apenas 15 pontos do fundo de 5.200. A alta ainda existiria tecnicamente, mas com um sinal claro de fragilidade.
Formatos de correção
Correção em forma de V
O preço recua rápido e volta rápido. É comum em mercados muito fortes ou após notícias. Oferece pouco tempo para planejar e costuma deixar para trás quem espera uma confirmação longa.
Correção lateral
O preço quase não recua em distância, mas passa muitos candles andando de lado, como uma pequena lateralidade dentro da tendência. A correção acontece “no tempo”, e não no preço.
Correção em degraus
O recuo tem pequenos topos e fundos próprios, formando uma mini tendência contrária no timeframe menor. No H1 parece uma queda organizada; no H4 é apenas um recuo dentro da alta.
Por que isso importa para o seu plano
Comprar durante o impulso, depois de vários candles grandes, significa entrar longe do último fundo. O stop fica distante, o lote precisa ser pequeno e a relação retorno/risco piora. Planejar entradas no fim de uma correção, quando ela começa a perder força, costuma oferecer stop mais curto e um alvo natural no topo do impulso anterior.
O desafio é que você não sabe onde a correção termina. Por isso, o que se procura é o momento em que a correção dá sinais de parar: candles menores, pavios de rejeição, um pequeno topo superado no timeframe menor. Esses sinais serão refinados nas aulas sobre suporte e pullback.
Erros comuns
- Confundir o início de uma correção com o fim da tendência.
- Entrar no final de um impulso esticado, por medo de perder o movimento.
- Esperar sempre correções profundas e perder tendências fortes que corrigem pouco.
- Ignorar a velocidade: uma correção tão rápida quanto o impulso anterior é um aviso.
Exercício
- Em um gráfico H1 de um índice ou do ouro com tendência clara, identifique três impulsos e três correções.
- Para cada um, anote em uma planilha o tamanho em pontos e o número de candles.
- Calcule a velocidade média (pontos por candle) de cada fase.
- Calcule a profundidade de cada correção como percentual do impulso anterior.
- Classifique cada correção como V, lateral ou em degraus e escreva o que isso sugeriu sobre a força da tendência.
Resumo
- Impulso vai a favor da tendência; correção vai contra ela.
- Impulsos têm candles maiores, pouca sobreposição e mais velocidade.
- A profundidade da correção, em percentual do impulso, funciona como termômetro.
- Correções podem acontecer no preço (V, degraus) ou no tempo (lateral).
- Entradas planejadas no fim de correções tendem a ter melhor retorno/risco.
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