Agora começamos a juntar peças. A combinação de tendência com suporte ou resistência é uma das estruturas mais usadas em estratégias de preço, e por uma razão simples: ela procura entrar a favor do movimento principal num ponto onde o risco pode ser bem definido.
A lógica da combinação
Numa tendência de alta, o preço sobe, recua e volta a subir. O recuo, ou pullback, é o momento em que compradores que ficaram de fora têm uma segunda chance. Se esse recuo termina numa região de suporte, você tem dois motivos alinhados: a direção do mercado e um ponto de preço relevante.
Na tendência de baixa, a lógica se inverte: vendas quando o preço sobe até uma resistência.
Variação 1: suporte original
A região é um fundo anterior da própria tendência. O EURUSD faz fundos em 1,0760 e 1,0820, e topos em 1,0880 e 1,0940. O recuo seguinte chega a 1,0822. O fundo anterior, em torno de 1,0820, funciona como suporte dentro da tendência.
Variação 2: resistência que vira suporte
O preço rompe uma resistência importante e depois volta para testá-la por cima. Muitas estratégias preferem essa variação porque ela reúne duas informações: a força do rompimento e o teste da nova posição.
Exemplo completo no ouro
No XAUUSD H4, o preço está em tendência de alta. Uma resistência em US$ 2.350 segurou o preço duas vezes. Ela é rompida com um candle forte que fecha em US$ 2.366, e o preço sobe até US$ 2.372. Em seguida, recua e toca US$ 2.349.
- Contexto: alta no H4, com fundos ascendentes.
- Região: antiga resistência de US$ 2.350, agora testada por cima.
- Gatilho: no H1, candle de rejeição com mínima em US$ 2.347 e fechamento em US$ 2.352.
- Entrada: US$ 2.352.
- Stop: US$ 2 abaixo da mínima, em US$ 2.345. Risco de US$ 7 por onça.
- Alvo: topo anterior em US$ 2.372. Ganho potencial de US$ 20 por onça, cerca de 2,9 vezes o risco.
Em muitas corretoras, 1 lote de XAUUSD corresponde a 100 onças, de modo que US$ 1 de movimento vale cerca de US$ 100 por lote. Confirme na especificação do contrato da sua corretora. Com uma conta de US$ 3.000 e risco de 1% (US$ 30):
Lote = 30 ÷ (7 × 100) = 0,043 → 0,04 lote
Risco real: 0,04 × 7 × 100 = US$ 28. Ganho no alvo: 0,04 × 20 × 100 = US$ 80.
Quando a estrutura enfraquece
A combinação funciona melhor no começo e no meio de uma tendência do que no fim. Alguns sinais para observar:
- Pullbacks cada vez mais profundos: o recuo que antes parava no suporte recente agora vai quase até o fundo anterior.
- Topos que mal superam o anterior: uma alta que passa só alguns pips do topo antes de recuar mostra perda de força.
- Região testada muitas vezes: cada teste consome ordens que estavam ali. Muitas estratégias só aceitam o primeiro ou o segundo teste de uma região.
Transforme esses sinais em regra. Por exemplo: “não comprar no terceiro teste da mesma região” ou “não comprar se o último topo superou o anterior em menos de 20% do ATR diário”.
Onde fica o alvo
O alvo natural é o último topo da tendência, numa compra, ou o último fundo, numa venda. Se esse ponto estiver muito perto, a condição de relação risco-retorno mínima vai barrar a entrada. Se estiver muito longe, considere uma saída parcial no caminho, conforme a regra definida na aula de take profit.
Cuidado com isto
- Comprar o recuo sem tendência: num mercado lateral, o “pullback” pode ser o começo de uma queda.
- Entrar antes do toque: antecipar a entrada a 15 pips da região porque “o preço vai chegar lá”.
- Ignorar a quebra do fundo: se o preço fecha abaixo do último fundo, a tendência mudou pela sua própria regra.
- Stop dentro da região: o stop precisa ficar além da zona, não no meio dela.
Para fazer esta semana
- No seu ativo, encontre no timeframe de contexto três tendências claras dos últimos seis meses.
- Em cada uma, marque os pullbacks que tocaram uma região de suporte ou resistência.
- Para cada toque, planeje entrada, stop e alvo como no exemplo do ouro.
- Calcule o lote para 1% de risco e o resultado em dinheiro, anotando se o alvo ou o stop foi atingido primeiro.
- Separe os resultados pelo número do teste da região: primeiro, segundo ou terceiro.
Para levar desta aula
- A combinação busca entrar a favor da tendência num ponto de risco bem definido.
- Suporte original e resistência rompida que vira suporte são as duas variações principais.
- Stop além da região e alvo no último extremo da tendência completam o plano.
- Pullbacks profundos e testes repetidos indicam enfraquecimento.
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