Aula 181 — Tendência + Suporte ou Resistência

Gráfico de tendência de alta com região de interesse destacada.

Agora começamos a juntar peças. A combinação de tendência com suporte ou resistência é uma das estruturas mais usadas em estratégias de preço, e por uma razão simples: ela procura entrar a favor do movimento principal num ponto onde o risco pode ser bem definido.

A lógica da combinação

Numa tendência de alta, o preço sobe, recua e volta a subir. O recuo, ou pullback, é o momento em que compradores que ficaram de fora têm uma segunda chance. Se esse recuo termina numa região de suporte, você tem dois motivos alinhados: a direção do mercado e um ponto de preço relevante.

Na tendência de baixa, a lógica se inverte: vendas quando o preço sobe até uma resistência.

Variação 1: suporte original

A região é um fundo anterior da própria tendência. O EURUSD faz fundos em 1,0760 e 1,0820, e topos em 1,0880 e 1,0940. O recuo seguinte chega a 1,0822. O fundo anterior, em torno de 1,0820, funciona como suporte dentro da tendência.

Variação 2: resistência que vira suporte

O preço rompe uma resistência importante e depois volta para testá-la por cima. Muitas estratégias preferem essa variação porque ela reúne duas informações: a força do rompimento e o teste da nova posição.

Exemplo completo no ouro

No XAUUSD H4, o preço está em tendência de alta. Uma resistência em US$ 2.350 segurou o preço duas vezes. Ela é rompida com um candle forte que fecha em US$ 2.366, e o preço sobe até US$ 2.372. Em seguida, recua e toca US$ 2.349.

  1. Contexto: alta no H4, com fundos ascendentes.
  2. Região: antiga resistência de US$ 2.350, agora testada por cima.
  3. Gatilho: no H1, candle de rejeição com mínima em US$ 2.347 e fechamento em US$ 2.352.
  4. Entrada: US$ 2.352.
  5. Stop: US$ 2 abaixo da mínima, em US$ 2.345. Risco de US$ 7 por onça.
  6. Alvo: topo anterior em US$ 2.372. Ganho potencial de US$ 20 por onça, cerca de 2,9 vezes o risco.

Em muitas corretoras, 1 lote de XAUUSD corresponde a 100 onças, de modo que US$ 1 de movimento vale cerca de US$ 100 por lote. Confirme na especificação do contrato da sua corretora. Com uma conta de US$ 3.000 e risco de 1% (US$ 30):

Lote = 30 ÷ (7 × 100) = 0,043 → 0,04 lote

Risco real: 0,04 × 7 × 100 = US$ 28. Ganho no alvo: 0,04 × 20 × 100 = US$ 80.

Quando a estrutura enfraquece

A combinação funciona melhor no começo e no meio de uma tendência do que no fim. Alguns sinais para observar:

  • Pullbacks cada vez mais profundos: o recuo que antes parava no suporte recente agora vai quase até o fundo anterior.
  • Topos que mal superam o anterior: uma alta que passa só alguns pips do topo antes de recuar mostra perda de força.
  • Região testada muitas vezes: cada teste consome ordens que estavam ali. Muitas estratégias só aceitam o primeiro ou o segundo teste de uma região.

Transforme esses sinais em regra. Por exemplo: “não comprar no terceiro teste da mesma região” ou “não comprar se o último topo superou o anterior em menos de 20% do ATR diário”.

Onde fica o alvo

O alvo natural é o último topo da tendência, numa compra, ou o último fundo, numa venda. Se esse ponto estiver muito perto, a condição de relação risco-retorno mínima vai barrar a entrada. Se estiver muito longe, considere uma saída parcial no caminho, conforme a regra definida na aula de take profit.

Cuidado com isto

  • Comprar o recuo sem tendência: num mercado lateral, o “pullback” pode ser o começo de uma queda.
  • Entrar antes do toque: antecipar a entrada a 15 pips da região porque “o preço vai chegar lá”.
  • Ignorar a quebra do fundo: se o preço fecha abaixo do último fundo, a tendência mudou pela sua própria regra.
  • Stop dentro da região: o stop precisa ficar além da zona, não no meio dela.

Para fazer esta semana

  1. No seu ativo, encontre no timeframe de contexto três tendências claras dos últimos seis meses.
  2. Em cada uma, marque os pullbacks que tocaram uma região de suporte ou resistência.
  3. Para cada toque, planeje entrada, stop e alvo como no exemplo do ouro.
  4. Calcule o lote para 1% de risco e o resultado em dinheiro, anotando se o alvo ou o stop foi atingido primeiro.
  5. Separe os resultados pelo número do teste da região: primeiro, segundo ou terceiro.

Para levar desta aula

  • A combinação busca entrar a favor da tendência num ponto de risco bem definido.
  • Suporte original e resistência rompida que vira suporte são as duas variações principais.
  • Stop além da região e alvo no último extremo da tendência completam o plano.
  • Pullbacks profundos e testes repetidos indicam enfraquecimento.
Flavius Salomon
Escrito porFlavius SalomonTrader desde 2019: opera mini índice e mini dólar (B3), o mercado americano pela NinjaTrader e o europeu pelo MetaTrader 5, com foco em ouro. Brasileiro, vive em Londres e criou o Exactly Moment para ensinar de graça quem está começando. Conheça a trajetória.
Aviso de riscoEste conteúdo é exclusivamente educacional e não constitui recomendação de investimento. Operar nos mercados financeiros envolve risco de perda total do capital. Resultados passados não garantem resultados futuros. Leia o aviso completo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *