Arriscar um para ganhar um. À primeira vista, a relação 1:1 parece neutra, quase um cara ou coroa. E, de fato, sem uma vantagem real na taxa de acerto, ela não sai do lugar. Mas há contextos em que essa relação é perfeitamente legítima, desde que você entenda o que ela exige.
A conta do equilíbrio
Em 1:1, cada acerto rende 1R e cada erro custa 1R. Sem custos, o ponto de equilíbrio é 50% de acerto. Acima disso, o resultado é positivo. Com 55% de acerto em 100 trades: 55 × 1 − 45 × 1 = +10R. Com 50%, zero. Com 48%, −4R.
Repare como a margem é estreita. A diferença entre uma estratégia positiva e uma negativa pode estar em poucos pontos percentuais de acerto, algo difícil de medir com amostras pequenas.
O peso dos custos
Agora inclua spread e comissão. Suponha um risco de US$ 50 por trade e custo total de US$ 4 por operação, somando spread e comissão.
- Ganho líquido de um acerto: US$ 50 − US$ 4 = US$ 46.
- Perda líquida de um erro: US$ 50 + US$ 4 = US$ 54.
- Taxa de equilíbrio: 54 ÷ (46 + 54) = 54%.
O custo, que parece pequeno, subiu a exigência de 50% para 54%. Quanto mais curtos o stop e o alvo, maior o peso relativo do custo. Num stop de 8 pips no EURUSD, um spread de 1 pip já representa mais de 12% da distância. Por isso o 1:1 com alvos muito curtos costuma ser uma das combinações mais difíceis de sustentar.
Quando o 1:1 faz sentido
Mercado lateral bem definido
Em uma faixa clara, digamos EURUSD entre 1,0800 e 1,0860, comprar perto do fundo com stop abaixo da faixa e alvo antes do topo pode resultar em algo próximo de 1:1. O espaço é limitado pela própria estrutura, e forçar um alvo maior significaria mirar além da resistência.
Estratégias com alta probabilidade medida
Se o seu histórico, com amostra ampla, mostra acerto consistentemente acima de 55% a 60% num setup específico, o 1:1 pode ser adequado. O ponto-chave é “medida”: não vale a sensação de que “quase sempre funciona”.
Primeira parcial
Alguns traders fecham metade da posição em 1R e deixam o restante correr com stop protegido. A primeira parte é, na prática, um 1:1. Essa abordagem exige regras escritas para a segunda metade.
Exemplo completo
AUDUSD em lateralidade no H1, entre 0,6600 e 0,6640. O preço volta a 0,6604 e forma um candle de rejeição. Você compra em 0,6608.
- Stop: 0,6588, abaixo da faixa com margem. Distância: 20 pips.
- Alvo: 0,6628, antes da borda superior. Distância: 20 pips.
- Relação: 1:1.
- Conta de US$ 4.000, risco de 1% = US$ 40. Lote: 40 ÷ (20 × 10) = 0,20.
Nesse contexto, buscar 1:2 significaria alvo em 0,6648, acima da resistência da faixa. A estrutura só oferece 1:1, e o trader aceita isso conscientemente porque o setup de lateralidade tem, no histórico dele, taxa de acerto que justifica a escolha.
Como saber se está funcionando
- Registre ao menos algumas dezenas de trades 1:1 do mesmo setup.
- Calcule a taxa de acerto e compare com a taxa de equilíbrio, já com custos.
- Se a folga for pequena, de um ou dois pontos percentuais, trate o resultado com cautela: pode ser só variação da amostra.
Erros comuns
- Usar 1:1 sem saber a própria taxa de acerto: é como apostar numa moeda e pagar taxa a cada jogada.
- Fechar vencedores antes do 1R: transforma 1:1 em 1:0,7, e a taxa de equilíbrio sobe para perto de 59%.
- Escolher stops e alvos minúsculos: o custo come boa parte do resultado.
- Aplicar 1:1 em tendência forte: abre mão de movimentos amplos sem necessidade.
Exercício
- Identifique, no gráfico H1 de um par principal, três períodos de lateralidade clara nas últimas semanas.
- Em cada um, marque entradas nas bordas com stop fora da faixa e alvo antes da borda oposta.
- Anote a relação risco-retorno que cada trade oferecia.
- Descubra o custo médio por operação na sua conta, somando spread típico e comissão, e recalcule a taxa de equilíbrio.
- Registre se esse tipo de setup seria viável para você.
Resumo
- Em 1:1, o equilíbrio sem custos é 50% de acerto; com custos, fica acima disso.
- Alvos e stops curtos aumentam o peso do spread e da comissão.
- O 1:1 faz sentido em laterais bem definidas ou setups com alta probabilidade medida.
- Fechar vencedores antes do alvo destrói a pouca margem que essa relação oferece.
← Aula anterior: Aula 123 — Relação Risco-Retorno
Próxima aula: Aula 125 — Risco-Retorno 1:2 →
Está no Módulo 7 — Gestão de Risco · Ver o índice completo da Formação




