A relação 1:2 é, para muitos traders, o ponto de equilíbrio entre alvos alcançáveis e margem de erro confortável. Com ela, você pode errar a maioria das operações e ainda terminar positivo. Mas, como qualquer escolha, tem condições e custos que precisam ser entendidos.
A margem de erro
Em 1:2, cada acerto rende 2R e cada erro custa 1R. A taxa de equilíbrio, sem custos, é 1 ÷ 3, ou seja, 33,3%. Acertar 4 em cada 10 já deixa uma folga razoável.
Isso tem um efeito psicológico importante: você não precisa ter razão na maior parte das vezes. Uma série de três ou quatro perdas não significa que a estratégia parou de funcionar, e fica mais fácil manter a disciplina.
Dez trades, com números
Conta de US$ 10.000, risco de 1% = US$ 100, alvos de 2R = US$ 200. A sequência a seguir é ilustrativa:
| Trade | Resultado | Acumulado (R) |
|---|---|---|
| 1 | −1R | −1 |
| 2 | −1R | −2 |
| 3 | +2R | 0 |
| 4 | −1R | −1 |
| 5 | −1R | −2 |
| 6 | −1R | −3 |
| 7 | +2R | −1 |
| 8 | +2R | +1 |
| 9 | −1R | 0 |
| 10 | +2R | +2 |
Quatro acertos, seis erros, resultado de +2R, ou cerca de US$ 200. Observe que, no trade 6, o acumulado estava em −3R. Quem abandonasse a estratégia ali não veria a recuperação. É o tipo de oscilação que o 1:2 produz naturalmente.
Com custos na conta
Suponha custo de US$ 5 por operação, entre spread e comissão.
- Acerto líquido: US$ 200 − US$ 5 = US$ 195.
- Erro líquido: US$ 100 + US$ 5 = US$ 105.
- Taxa de equilíbrio: 105 ÷ (195 + 105) = 35%.
- Resultado dos dez trades acima: 4 × 195 − 6 × 105 = US$ 150.
O custo derrubou o resultado de US$ 200 para US$ 150 e subiu a exigência de 33,3% para 35%. Ainda há folga, mas ela é menor do que parece no papel.
Onde encontrar 2R
O desafio do 1:2 não é a matemática, e sim encontrar setups em que o gráfico ofereça esse espaço. Alguns contextos favoráveis:
- Pullbacks em tendência: comprar na correção, perto de um suporte, com alvo no topo anterior ou além dele. A entrada no fundo da correção encurta o stop e amplia o espaço até o alvo.
- Retestes de rompimento: o stop fica logo do outro lado da região rompida, e o alvo, na próxima zona relevante.
- Entradas em timeframe menor com alvo em timeframe maior: por exemplo, stop definido pela estrutura do M15 e alvo numa resistência do H4.
Exemplo: EURUSD em alta no H4. Correção até 1,0880, com fundo em 1,0872. Entrada em 1,0890, stop em 1,0867 (23 pips). O topo anterior está em 1,0942. Alvo 2R: 1,0890 + 46 pips = 1,0936, antes do topo. O trade cabe no critério.
Quando não forçar
Se o próximo obstáculo está a 1,3R, esticar o alvo para 2R significa torcer para o preço romper uma resistência. Melhor descartar o trade ou esperar uma entrada mais próxima do stop. A disciplina do 1:2 está tanto em mirar 2R quanto em recusar trades que não o oferecem.
Onde a maioria erra
- Mover o alvo para 2R ignorando uma resistência no caminho.
- Fechar em 1R por ansiedade: a relação realizada cai e a taxa de equilíbrio sobe para 50%.
- Abandonar a estratégia após três ou quatro perdas: isso está dentro do comportamento normal.
- Apertar o stop para “criar” o 2R: a chance de ser estopado pelo ruído aumenta.
Tarefa desta aula
- Percorra o gráfico H1 de EURUSD das últimas quatro semanas.
- Marque todos os pullbacks em tendência que você identificar.
- Para cada um, defina entrada, stop técnico e a distância até o próximo obstáculo.
- Classifique: oferecia 2R ou não?
- Dos que ofereciam, anote quantos atingiram o alvo antes do stop e calcule a taxa de acerto desse pequeno teste.
Pontos para guardar
- Em 1:2, o equilíbrio sem custos é 33,3% de acerto.
- Oscilações de −3R antes da recuperação são normais nessa relação.
- Custos reduzem a folga; inclua-os na conta.
- Busque 2R onde o gráfico oferece espaço, e recuse trades que não oferecem.
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